Caism promove 6ª Edição do “Janeiro Branco” com palestras sobre a saúde mental no trabalho

Na manhã desta terça-feira, 29 de janeiro, evento realizado do anfiteatro principal do Caism celebrou a 6ª Edição da Campanha “Janeiro Branco”.

Criada em 2014 por psicólogos brasileiros, a Campanha visa, dentre outros objetivos, a que todas as pessoas e instituições reflitam, debatam, conheçam, planejem e efetivem ações em prol da saúde mental, bem como de combate ao adoecimento emocional dos indivíduos e das próprias instituições.

Trata-se de uma missão de enorme relevância social, uma vez que os transtornos mentais representam aproximadamente 12% do total de doenças que afetam as populações do mundo todo. Além disso, transtornos mentais comuns, como ansiedade, insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento e dificuldade de concentração atingem aproximadamente um terço da população.

Dentre os transtornos mentas mais graves, não se pode desprezar o problema da depressão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em 2015 havia aproximadamente 322 milhões de pessoas deprimidas no mundo. No Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de pessoas, 5,8% da população.

Para tratar desses temas e discutir de que maneira eles se relacionam com o mundo do trabalho, o evento desta terça-feira contou com a participação da terapeuta ocupacional Kátia Liane Rodrigues, que relatou o trabalho que realiza como coordenadora da Oficina de Papel Artesanal do Núcleo de Oficinas e Trabalho do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira.

Na sequência, representantes da equipe do Programa de Acolhimento e Reinserção no Trabalho da Diretoria Geral de Recursos Humanos da Unicamp se alternaram no palco para falar sobre o tema da “saúde mental no ambiente de trabalho”.

A conversa foi iniciada pelo Prof. Dr. Sérgio Roberto de Lucca, Diretor da Divisão de Saúde Ocupacional da Unicamp e docente do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciência Médicas da Unicamp.

O palestrante explicou que o trabalho tem papel importante na constituição da identidade pessoal, mas, ao mesmo tempo, pode ser fonte de sofrimentos físico e psíquico, que eventualmente evoluem para doenças e provocam perda de produtividade e afastamentos, dentre outros problemas.

Em sua fala, a médica psiquiatra Dra. Lúcia Arisaka Paes relatou o caso de um servidor da Unicamp acompanhado pelo Programa de Acolhimento e Reinserção no Trabalho.

Usando nome e outros dados fictícios (para proteger a identidade do paciente), a médica abordou diversos aspectos relacionados aos determinantes, evolução e consequências da depressão, com enfoque para seus impactos no ambiente de trabalho.

Concluindo a participação dos representantes da Diretoria Geral de Recursos Humanos da Unicamp, o assistente social Fidelis Ranali Neto relatou o caso de um paciente que chegou a ser preso em virtude dos comportamentos provocados pelo adoecimento mental.

Também utilizando dados fictícios, o palestrante lançou luz sobre o estigma social da dependência química e das doenças mentais de maneira geral, que frequentemente se expressam pela discriminação do doente em seu ambiente de trabalho.

Organizado pelo Serviço de Recursos Humanos do Caism, o evento foi concluído com a apresentação da palestra “A tristeza transforma, a depressão paralisa”, pelo professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Dr. Neury José Botega.

Autor de diversos livros, inclusive um homônimo à palestra de hoje, o palestrante discorreu sobre as diferentes visões da depressão ao longo da história, partindo da teoria dos humores, de Hipócrates, passando pelas visões medievais da doença, e chegando à perspectiva científica contemporânea sobre o problema.

Todas essas palestras foram assistidas por mais de 100 pessoas, incluindo alunos, docentes e funcionários. Ao fim da última apresentação, a plateia teve a oportunidade de realizar perguntas ao Dr. Neury, aprofundando temas como estigma social, diferentes tipos de depressão e duração do luto.

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