Dia Mundial da Prematuridade

A data de 17 de novembro, Dia Mundial da Prematuridade, foi estipulada para chamar a atenção para esse problema que atinge 15 milhões de bebês ao redor do mundo e para os aspectos preventivos.

No Brasil, pouco mais que 10% dos bebês nascem antes do tempo por ano, ou seja, antes da gestação completar 37 semanas, número que é o dobro do verificado na Europa. O neonatologista do Caism - Hospital da Mulher J. A. Pinotti, professor Sergio Marba, afirma que a prematuridade é a maior causa de mortalidade neonatal no mundo, respondendo por 60% da sua ocorrência, o que se reflete diretamente na mortalidade infantil. Em sua opinião, a problemática da prematuridade excede à do baixo peso. As principais causas são a falta de um pré-natal adequado, em termos de qualidade, para a prevenção das principais causas do nascimento prematuro, como hipertensão materna, diabetes gestacional e infecção urinária, passando ainda pela vulnerabilidade social e pela drogadição, entre outros aspectos. Segundo ele, um bebê prematuro precisa ter cuidados especiais na UTI, o que aumenta em três vezes o risco de morte e de sequelas futuras. Mas, apesar desses dados desoladores, os avanços na medicina têm permitido que a maioria dos bebês se desenvolvam com saúde. O Caism, que se notabiliza pelo atendimento à saúde da mulher, é referência também no atendimento público ao recém-nascido, ofertado pela Unicamp à macrorregião de Campinas. Leia entrevista de Sérgio Marba a seguir:

IMPRENSA CAISM - Qual a importância de trazer a debate uma temática como a prematuridade?
MARBA - A prematuridade é a maior causa de mortalidade neonatal no Brasil e no mundo, o que se reflete diretamente na mortalidade infantil, pois cerca de 60% se refere à taxa de mortalidade neonatal. Se um país almeja diminuir a taxa de mortalidade infantil é necessário mudar a taxa de mortalidade neonatal e, portanto, reduzir a chance de morte dos prematuros. Além disso, a prematuridade traz consigo uma série de problemas ao recém-nascido, na sua vida futura, principalmente os ligados ao seu desenvolvimento neurológico. Na realidade, a importância da temática é chamar a atenção para os aspectos preventivos da prematuridade, ou seja, o que podemos fazer para minimizar a sua ocorrência.

IMPRENSA CAISM - Quais são as principais causas da prematuridade no Brasil?
MARBA - Basicamente, a falta de um pré-natal adequado, em termos de qualidade, para a prevenção das principais causas de nascimento prematuro, como hipertensão materna, diabetes gestacional e infecção urinária. Temos ainda a vulnerabilidade social e a drogadição (toxicodependência) como causas importantes de partos prematuros. Outras situações menos frequentes, mas não menos importante, são as doenças placentárias, como o descolamento prematuro da placenta e a chamada placenta prévia, além de anomalias uterinas e gemelaridade.

IMPRENSA CAISM - Os bebês prematuros enfrentam muitas dificuldades de sobrevivência?
MARBA - É sempre bom relembrar que uma gestação normal tem duração de 280 dias, a partir da data da última menstruação, o que totaliza 40 semanas. Esse período de 40 semanas é o tempo necessário para que a criança se desenvolva normalmente. Um recém-nascido é considerado pré-termo quando nasce antes de 37 semanas e ele não estará suficientemente amadurecido para manter a temperatura corporal e sobretudo para respirar adequadamente. Além disso, o seu sistema nervoso central não está adaptado para viver fora do útero e deve completar sua formação em um ambiente diferente do qual foi programado. É preciso lembrar que, quanto mais prematuro, maior é o risco da criança ter complicações de saúde.

IMPRENSA CAISM - Como o Brasil se situa num ranking de prematuridade em relação a outros países?
MARBA - O Brasil ocupa a 10ª posição no ranking mundial de prematuridade, com mais de 300 mil bebês prematuros por ano.

IMPRENSA CAISM - Quais as medidas preventivas que podem ser adotadas para evitar o parto prematuro?
MARBA - As medidas preventivas se concentram em um pré-natal adequado e de qualidade, com consultas e exames que devem ser seguidos rigorosamente. É importante uma vigilância sobre a pressão arterial e glicemia da mãe e que ela mantenha uma dieta equilibrada e um peso dentro de uma faixa adequada. Deve-se evitar bebidas alcoólicas, não fumar e praticar exercícios recomendados pelo obstetra. Fazer uso de ácido fólico e de vitamina B12. A mãe também deve estar atenta a sinais como sangramentos e secreções vaginais.

IMPRENSA CAISM - Quais cuidados devem envolver um bebê prematuro ao nascer?
MARBA - Em primeiro lugar, ele deverá nascer em um centro capaz de atender a esse tipo de criança. Deve ter uma unidade neonatal capacitada e equipada para dar suporte ao nascimento prematuro. Ao nascimento, é fundamental que a criança seja recebida por equipe treinada e capacitada nos moldes do Programa de Reanimação da Sociedade Brasileira de Pediatria. A manutenção da temperatura deve ser uma preocupação de toda a equipe de saúde. Essa criança deve ser recebida em campos aquecidos, colocada em berço aquecido e, a seguir, transportada em incubadora de transporte, permanecendo na unidade neonatal em incubadora aquecida de dupla parede. Outra preocupação é com seu padrão respiratório. Dependendo dessa avaliação, é preciso fornecer o suporte respiratório e de oxigênio necessários para a sua sobrevivência. Um ponto importante é a participação dos pais nesse processo, com seu acolhimento e de outros membros da família. Desde o início, é fundamental que os pais tenham livre acesso à unidade neonatal e se trabalhe em prol da formação do vínculo entre o recém-nascido e seus pais, bem como estímulo ao aleitamento materno.

IMPRENSA CAISM - O que falta para oferecer uma boa assistência a esses bebês?
MARBA - Contamos hoje com um corpo de profissionais altamente capacitados e habilitados no Caism, para dar suporte aos recém-nascidos pré-termo. Contamos também com equipamentos adequados. Todos os que aqui nascem recebem uma boa assistência. O nosso principal problema é a demanda elevada de crianças e a falta de uma política eficiente de regionalização do atendimento neonatal. Hoje, as unidades neonatais modernas preconizam a permanência dos pais 24 horas por dia junto ao filho. Já conseguimos isso para um grupo de crianças, desde a instituição do Método Canguru em nossa unidade, mas queremos estender essa prática a um maior número de crianças.

Texto: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Fotos: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo./Divulgação
Edição de imagens: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. (Piage Prado)

Copyright © 2018 - CAISM/UNICAMP - Todos Direitos Reservados.