Revista The Lancet publica série especial sobre a epidemia de cesarianas no mundo

No dia 13 de outubro de 2018 a renomada revista científica The Lancet lançou uma série especial sobre a epidemia de cirurgias cesarianas no mundo, a qual é chamada de sem precedentes e desnecessária.

A equipe do Blog da Enfermagem produziu um conjunto de artigos sobre a série especial do periódico.

Por Marcela Zanatta*

 

 

Quando há uma indicação obstétrica clara, como nos casos de placenta prévia, apresentação córmica ou sofrimento fetal, a cirurgia cesariana é um recurso preciosíssimo e indispensável para salvar as vidas de mulheres e bebês. É indiscutível que, em algumas regiões do mundo, a falta de acesso ao procedimento está associada morbimortalidade materna e neonatal.

No entanto, o abuso dessa cirurgia é agora uma preocupação crescente e sua prevalência não deve ir além dos 10 – 15%. A Série irá mostrar que nos últimos 15 anos o percentual de cirurgias teve um incremento global de 4% ao ano e que, dos 6.3 milhões de cesáreas desnecessárias realizadas a cada ano metade são feitas no Brasil ou na China. A enorme variação percentual entre países e regiões comprova que as indicações para os nascimentos por via cirúrgica não têm base em evidências científicas, o que traz a necessidade de se compreender as razões da realização dessas cesáreas.

O novo guideline de assistência ao parto publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mês passado fala de intervenções não clínicas, que atingiam outras necessidades da gestante como os medos, preocupações e concepções errôneas. Em alguns países há uma crença de que o parto normal é “antiquado” e pouco seguro. Ainda, algumas mulheres têm experiências ou complicações prévias de parto traumáticas ou tem a crença, não verdadeira, de que não é possível uma parto vaginal após cesariana. A OMS recomenda fortemente educação em saúde, informação de qualidade sobre medo do parto, alívio da dor e sobre as vantagens e desvantagens da cesárea.

Além do trabalho educativo, é primordial que haja capacitação profissional, bem como auditoria das cirurgias indicadas, estratégias financeiras para remuneração do parto normal e todos os pros e contras são discutidos à exausta na nova recomendação da OMS.

Os profissionais da saúde devem adquirir confiança para terem conversas consistentes e com informação baseada em evidências com as gestantes, e devem desenvolver habilidade para discutir acerca das opções de parto e das preocupações. Segundo a OMS, o trabalho colaborativo entre enfermeiras obstetras/obstetrizes e médicos é o melhor caminho para facilitar a comunicação com a gestante e para realizar um cuidado centrado na mulher. Nos artigos da Série especial da The Lancet afirma que o modelo de cuidado obstétrico feito pela enfermeira obstetra/obstetriz está associado a maiores taxas de parto vaginal, desfechos mais seguros, experiências maternas positivas e baixo custo.

Finalmente, os artigos da série trazem luz sobre a longa discussão acerca das cesáreas por opção materna e como sugere-se que seja a postura dos profissionais da saúde. 

Para ter acesso ao editorial que originou esse post, clique aqui

*Marcela Zanatta é enfermeira obstetra, coordenadora do GT de Saúde da Mulher do COREN-SP e responsável pela supervisão da UTI de Adultos e Educação Continuada do Caism

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